Parque Municipal do Bixiga [concurso]
Parque Municipal do Bixiga [concurso]
março 2026
Menção honrosa em concurso aberto
Coautores
Ana Beatriz Kamitsuji Pala, Bruno Futema (ilha null), Juliana Trama (Consoante), Luísa Martins, Victor Tonissi de Toledo Piza (Consoante), Vinicius Costa (Consoante) Victoria Reis Sousa e Braga (anonima arquitetura)
Colaboradores
Camila Miwa Arai, Livia Naomi Nishijima Yohei, Luisa Caminha de Figueiredo, Daniel de Souza Carvalho, Gabriel Techeresk, Michele Bucci, Enrico Martines Salvador Paula e Thais dos Santos Coelho
Consultores
Leonardo Mello Affonso Lemos Tannous (Engenheiro Ambiental e Hidráulico), Paula Regina Balabram (Engenheira Civil e Hidráulica) e Fabio Condado Barbosa (Consultor de Estrutura e Fundação)
O Parque do Bixiga nasce do reconhecimento de que o território não é vazio: é espesso, vivo e em permanente transformação. Sob a cidade construída, persistem fluxos, camadas e memórias que continuam operando, ainda que invisibilizadas. A proposta parte dessa condição para compreender o Bixiga como um sistema metabólico, onde água, solo, vegetação, infraestrutura e cultura se inter-relacionam em ciclos contínuos. A leitura do Bixiga como palimpsesto geográfico, hidrológico e cultural orienta uma estratégia que não se limita ao perímetro do Parque, mas se articula com a bacia hidrográfica, com os sistemas ecológicos urbanos e com as dinâmicas sociais do bairro. Nesse contexto, o parque opera como infraestrutura pública: ambiental, social e cultural.
O gesto fundador da proposta é a reabertura do córrego do Bixiga. Ao desenterrar esse curso d’água, historicamente canalizado e ocultado, o projeto transforma uma infraestrutura invisível em paisagem pública viva. A água deixa de ser conduzida subterraneamente para se tornar elemento estruturador do espaço, rearticulando relações entre topografia, drenagem e cidade. A recuperação da Área de Preservação Permanente e a reconfiguração das margens do córrego estabelecem gradientes ecológicos entre água, solo e vegetação, criando condições para a regeneração ambiental e a formação de habitats urbanos. Mais do que recuperar uma imagem original, a proposta opera por ecogênese: cria as condições para que a paisagem se regenere a partir de seus próprios ciclos. O metabolismo do parque é também social. Inserido em um território historicamente marcado pela diversidade cultural e pela intensidade da vida coletiva, o projeto propõe um espaço público acessível, inclusivo e aberto à multiplicidade de usos. Em vez de programas rígidos, a organização espacial privilegia estruturas flexíveis, capazes de acolher apropriações espontâneas, permanências cotidianas e diferentes temporalidades de uso. O parque se consolida, assim, como extensão da vida pública do Bixiga.
Ao mesmo tempo, reconhece-se o território como um artefato arqueológico ampliado, onde camadas naturais, culturais e infra-estruturais se acumulam e permanecem inscritas. O parque atua como dispositivo de revelação dessas camadas, tornando legíveis cursos d’água soterrados, traçados históricos e vestígios urbanos. Expor, reconectar e reinscrever essas marcas na paisagem contemporânea é transformar o espaço em um campo de leitura onde memória, geografia e urbanização se tornam novamente perceptíveis. O parque se estrutura como suporte para manifestações culturais, saberes locais e práticas coletivas, incorporando dimensões etnobotânicas, produtivas e educativas. Cultura e cultivo, aqui, tornam-se indissociáveis, reforçando vínculos de pertencimento e formas compartilhadas de gestão dos recursos naturais e culturais.
A arquitetura opera como mediação entre sistemas. O parque se constrói, assim, a partir de um equilíbrio entre infraestruturas necessárias e dinâmicas abertas, capazes de se transformar ao longo do tempo. O tempo, nesse sentido, é assumido como agente de projeto. A proposta não se encerra em um desenho fixo, mas estabelece um campo de relações em contínua transformação onde processos ecológicos, práticas sociais e dinâmicas culturais se sobrepõem e se reinventam.
Uma paisagem em curso: aberta, viva e compartilhada.
Diagrama de sistemas e metabolismo
Imagem Pavilhão de Educação Ambiental
Imagem Pavilhão Arqueologia Viva
Topo: Corte Longitudinal
Abaixo: Implantação
1 Centro de Apoio ao Visitante
2 Sanitários
3 Vestiários
4 Copa
5 Administração e sede Conselho Gestor
6 Sala de reunião
7 Reserva técnica (para Pav. Arqueologia Viva)
8 Laboratório
9 Almoxarifado
10 Guarita
11 DML
12 Depósito vigilância
13 Depósito manejo
14 Pavilhão das Culturas Locais
15 Espaço para feira livre
16 Cozinha escola
17 Pavilhão de educação ambiental e saberes tradicionais
18 Redário e pomar
19 Compostagem
20 Horta
21 Anfiteatro
22 Terreiro da Cesalpina
23 Solário
24 Mirante Japurá
25 Pavilhão Arqueologia Viva
26 Bicicletário
27 Praça Jaceguai
28 Equipamentos de esporte e movimento
29 Sacolão Bela Vista
30 Galeria comercial
31 Livraria (proposta de projeto)
Topo: Imagem da horta
Abaixo: Imagem do Córrego do Bixiga visto a partir do Terreiro da Cesalpina
Imagem do Córrego do Bixiga em diferentes climas e volumes de água
abaixo: pranchas entregues